Marcopolo coloca biometano na estrada com o primeiro Geração 8 da Pássaro Marron

O Paradiso G8 1050 inaugura uma nova fase ao combinar conforto rodoviário, tecnologia embarcada e redução significativa de emissões.

O transporte rodoviário de passageiros vive um momento de transformação que vai além do design, do conforto ou da capacidade de passageiros. A discussão agora passa por energia, impacto ambiental e eficiência operacional. É nesse contexto que a Marcopolo entrega à operadora Pássaro Marron o primeiro ônibus rodoviário da Geração 8 movido a biometano, um movimento que sinaliza mudanças importantes no setor.

O modelo escolhido para essa estreia é o Paradiso G8 1050, montado sobre o chassi Scania K340 4×2 Gás, capaz de operar tanto com GNV quanto com biometano. A autonomia de até 450 quilômetros demonstra que a tecnologia já alcançou um nível de maturidade compatível com a realidade das rotas rodoviárias, afastando a ideia de que combustíveis alternativos servem apenas para aplicações experimentais.

O uso do biometano no transporte coletivo representa uma virada conceitual. Diferente de soluções que dependem exclusivamente de infraestrutura elétrica complexa ou de longos tempos de recarga, o gás renovável aproveita redes já existentes e reduz drasticamente as emissões. Quando abastecido com biometano, o Paradiso G8 1050 pode reduzir em até 90% as emissões de CO₂, um número que chama atenção mesmo fora do setor de mobilidade.

Essa entrega não surge de forma isolada. Ela reflete uma estratégia clara da Marcopolo em atuar como agente ativo na transição energética. Ao colocar um ônibus rodoviário a biometano em operação real, a fabricante sai do discurso e entra na prática, permitindo que operadores, passageiros e o mercado observem os resultados no dia a dia.

O Paradiso G8 1050 mantém as características que já tornaram a Geração 8 uma referência. Com 14 metros de comprimento, o veículo acomoda 46 passageiros em poltronas Executiva, oferecendo um padrão de conforto alinhado às expectativas atuais do transporte rodoviário. As poltronas contam com tomadas USB tipo A e C, atendendo à demanda por conectividade constante.

O conforto a bordo é complementado por ar-condicionado, sanitário e preparação para sistemas de áudio, vídeo e Wi-Fi, recursos que deixam de ser diferenciais e passam a ser considerados essenciais por quem percorre médias e longas distâncias. A experiência do passageiro, nesse cenário, ganha peso semelhante ao desempenho técnico do veículo.

Sob o ponto de vista mecânico, o motor ciclo Otto de 340 cv trabalha em conjunto com seis cilindros tipo 1, totalizando 720 litros de capacidade de armazenamento de gás. Essa configuração garante autonomia adequada sem comprometer espaço interno ou conforto, um desafio histórico quando se fala em veículos movidos a gás.

A escolha da Pássaro Marron como operadora desse primeiro Geração 8 a biometano também não é casual. A empresa vem investindo na renovação de frota e na adoção de soluções mais eficientes, alinhando desempenho operacional com responsabilidade ambiental. A entrega do Paradiso G8 1050 se encaixa em uma estratégia mais ampla de modernização do transporte rodoviário.

Mais do que um novo ônibus, o Geração 8 a biometano simboliza uma mudança de mentalidade. Ele mostra que sustentabilidade, conforto e viabilidade econômica já conseguem seguir na mesma estrada.

Biometano como alternativa real no transporte rodoviário

Durante muitos anos, falar em combustíveis alternativos no transporte rodoviário soava como algo distante da operação diária. Eram projetos-piloto, testes pontuais ou soluções limitadas a centros urbanos. A entrega do Paradiso G8 1050 a biometano quebra esse paradigma ao colocar a tecnologia em uma rota real, com passageiros, horários e exigências operacionais concretas.

O biometano surge como uma alternativa interessante por vários motivos. Ele é produzido a partir da purificação do biogás gerado por resíduos orgânicos, como restos agrícolas, resíduos urbanos e dejetos industriais. Na prática, isso significa transformar lixo em combustível, reduzindo emissões e dando novo destino a materiais que antes representavam apenas passivos ambientais.

No transporte rodoviário de passageiros, essa lógica faz ainda mais sentido. Diferente de veículos leves, ônibus seguem rotas previsíveis, com pontos definidos de abastecimento. Isso facilita a implantação de infraestrutura e torna o uso do biometano operacionalmente viável, sem exigir rupturas radicais nos processos existentes.

Autonomia e viabilidade operacional

Um dos pontos que mais geram dúvidas quando se fala em ônibus movidos a gás é a autonomia. No caso do Paradiso G8 1050, os até 450 quilômetros representam um marco importante. Esse alcance permite cobrir grande parte das rotas rodoviárias regionais sem necessidade de reabastecimentos intermediários.

A presença de seis cilindros tipo 1, com capacidade total de 720 litros, mostra como a engenharia conseguiu integrar o sistema de armazenamento sem comprometer o conforto dos passageiros ou o espaço interno. Para o operador, isso significa manter a eficiência da frota sem sacrificar layout, número de assentos ou bagageiros.

Além disso, o motor ciclo Otto de 340 cv entrega desempenho compatível com a aplicação rodoviária. A aceleração progressiva, o funcionamento mais silencioso e a menor vibração contribuem para uma experiência mais agradável tanto para motoristas quanto para passageiros. Em viagens longas, esses detalhes fazem diferença no cansaço e na percepção de qualidade do serviço.

Conforto como elemento estratégico

O transporte rodoviário moderno deixou de competir apenas com outros ônibus. Ele disputa espaço com avião, carro particular e até serviços de transporte sob demanda. Nesse cenário, o conforto a bordo se torna uma ferramenta estratégica de fidelização.

O Paradiso G8 1050 reforça essa lógica ao oferecer poltronas Executiva, tomadas USB A e C, ar-condicionado, sanitário e preparação para Wi-Fi e sistemas de entretenimento. Esses itens não aparecem como luxo, mas como resposta direta ao comportamento do passageiro contemporâneo, que valoriza conectividade e comodidade durante o deslocamento.

A Geração 8 também trouxe avanços no isolamento acústico e térmico. Em um ônibus movido a gás, o menor nível de ruído do motor potencializa essa sensação de conforto. O ambiente interno se torna mais silencioso, favorecendo descanso, trabalho ou entretenimento ao longo da viagem.

A importância da renovação de frota

A entrega do ônibus a biometano faz parte de um movimento maior de renovação da frota da Pássaro Marron. Ao longo de 2025, a operadora recebeu 67 novos ônibus da Marcopolo, entre rodoviários e urbanos. Esse volume mostra que a modernização não acontece de forma isolada, mas como parte de uma estratégia contínua.

Entre os rodoviários, destacam-se os modelos Paradiso G8 1200, Paradiso G8 1050 e Viaggio G8 800, cada um voltado a diferentes perfis de operação. Já na frota urbana, os 29 ônibus Torino equipados com chassi Mercedes-Benz OF1726L reforçam a busca por conforto e acessibilidade também no transporte diário.

Esses veículos urbanos contam com ar-condicionado, quatro câmeras de segurança, piso Taraflex, tomadas USB A e C e Wi-Fi, mostrando que a experiência do passageiro deixou de ser exclusividade do transporte rodoviário de longa distância. A presença de dispositivos para pessoas com mobilidade reduzida em toda a frota reforça o compromisso com inclusão e acessibilidade.

Sustentabilidade além do discurso

Quando se fala em descarbonização, é comum encontrar iniciativas que ficam restritas ao marketing. A adoção do biometano no Paradiso G8 1050 mostra um caminho diferente: o da aplicação prática, mensurável e replicável. A redução de até 90% nas emissões de CO₂ não é um conceito abstrato, mas um dado concreto associado ao uso do combustível renovável.

Para operadores, esse tipo de solução pode se traduzir em ganhos de imagem institucional, atendimento a metas ambientais e até vantagens em processos regulatórios futuros. Para o setor como um todo, representa um passo importante na construção de um modelo de mobilidade mais responsável.

A fala de Ricardo Portolan, diretor de Operações Comerciais Mercado Interno e Marketing da Marcopolo, reforça essa visão ao destacar o papel da fabricante na oferta de soluções que tornam o transporte coletivo mais sustentável e eficiente. Não se trata apenas de vender um veículo, mas de contribuir para uma mudança estrutural no setor.

Marcopolo e o papel da indústria

Com 76 anos de história, a Marcopolo ocupa uma posição singular no mercado global de carrocerias de ônibus. Presente em mais de 140 países e com fábricas nos cinco continentes, a empresa possui escala, conhecimento e capacidade de inovação para influenciar os rumos da mobilidade coletiva.

A entrega do primeiro Geração 8 a biometano para a Pássaro Marron simboliza essa capacidade de liderar transformações. Ao investir em tecnologia, design e novas matrizes energéticas, a Marcopolo reforça seu papel como agente ativo na evolução do transporte.

Esse movimento também sinaliza para o mercado que a transição energética não depende apenas de políticas públicas ou de mudanças no comportamento do usuário. A indústria tem papel direto ao disponibilizar produtos prontos para operar, com desempenho, conforto e confiabilidade.

O Paradiso G8 1050 a biometano, nesse contexto, não é apenas um novo ônibus. Ele funciona como um marco, mostrando que o transporte rodoviário brasileiro já possui ferramentas para avançar em direção a um futuro mais limpo, eficiente e conectado às demandas da sociedade.

Curiosidades que explicam por que o biometano ganhou espaço nos ônibus rodoviários

O avanço do biometano no transporte coletivo não aconteceu de um dia para o outro. Durante anos, o combustível ficou restrito a debates técnicos, estudos acadêmicos e aplicações muito específicas. O que muda agora é a combinação entre maturidade tecnológica, pressão por redução de emissões e necessidade operacional real. O Paradiso G8 1050 entregue pela Marcopolo à Pássaro Marron simboliza exatamente esse ponto de virada.

Uma curiosidade pouco conhecida é que o biometano possui características químicas muito próximas às do gás natural veicular (GNV). Isso permite que o mesmo motor opere com ambos os combustíveis sem grandes alterações. No caso do chassi Scania K340 4×2 Gás, essa flexibilidade reduz riscos operacionais e facilita a adoção gradual do combustível renovável, algo estratégico para operadores que precisam garantir regularidade de serviço.

Outro aspecto relevante está na origem do biometano. Diferente de combustíveis fósseis, ele nasce de resíduos orgânicos — restos de alimentos, resíduos agrícolas, efluentes industriais e até lixo urbano. Ao ser purificado, o biogás se transforma em biometano, um combustível que não apenas reduz emissões, mas também fecha ciclos produtivos. É o conceito de economia circular aplicado ao transporte rodoviário.

No ambiente rodoviário, isso ganha uma dimensão prática interessante. Ônibus percorrem rotas conhecidas, com horários definidos e pontos fixos de parada. Essa previsibilidade favorece o planejamento de abastecimento e torna o uso do biometano mais simples do que em veículos de uso disperso. Por isso, muitos especialistas enxergam o transporte coletivo como um dos primeiros setores capazes de escalar esse tipo de solução.

Existe também uma curiosidade ligada ao conforto acústico. Motores a gás, como o ciclo Otto de 340 cv, tendem a operar de forma mais silenciosa em comparação aos motores diesel tradicionais. Em um ônibus rodoviário, essa diferença se reflete diretamente na experiência do passageiro. Menos ruído significa viagens mais tranquilas, menor fadiga e percepção de qualidade superior, mesmo em trajetos longos.

A Geração 8 da Marcopolo potencializa esse efeito ao investir em isolamento térmico e acústico aprimorado. O resultado é um ambiente interno que se aproxima mais da sensação de um modal premium do que da imagem clássica de ônibus rodoviário. Esse detalhe ajuda a explicar por que o conforto passou a ser tratado como parte essencial da estratégia de renovação de frota.

Outra curiosidade interessante envolve a autonomia de até 450 km. Para muitos, esse número parece limitado quando comparado a veículos a diesel. No entanto, grande parte das rotas rodoviárias regionais se encaixa perfeitamente nesse alcance. Além disso, a lógica operacional do transporte coletivo permite planejar reabastecimentos sem impacto significativo na programação.

O movimento da Pássaro Marron ao incorporar esse modelo também revela uma mudança de postura no setor. Em vez de aguardar que tecnologias sustentáveis se tornem obrigatórias por legislação, a operadora antecipa tendências e testa soluções em ambiente real. Essa postura gera aprendizado interno, fortalece a imagem institucional e prepara a empresa para cenários regulatórios futuros.

Do ponto de vista da indústria, a Marcopolo se posiciona como protagonista ao não apenas desenvolver o produto, mas colocá-lo efetivamente em circulação. Com presença em mais de 140 países e fábricas distribuídas pelos cinco continentes, a empresa acumula experiência suficiente para transformar inovação em escala. O Geração 8 a biometano surge, assim, como um laboratório em movimento, capaz de gerar dados, ajustes e novas aplicações.

Por fim, há uma curiosidade quase simbólica. Muitos avanços importantes na mobilidade não surgem de rupturas radicais, mas de evoluções consistentes. O ônibus a biometano não elimina imediatamente o diesel do mapa, mas cria uma alternativa viável, mensurável e replicável. É nesse espaço, entre o presente e o futuro, que o Paradiso G8 1050 se posiciona, apontando um caminho possível para o transporte rodoviário brasileiro.

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