A CES 2026 revelou como a indústria automotiva está migrando de sistemas mecânicos isolados para plataformas digitais inteligentes, capazes de evoluir por software ao longo do tempo.
A CES 2026, realizada no início de janeiro em Las Vegas, deixou claro que a indústria automotiva atravessa uma transformação que vai muito além da eletrificação. O que se viu nos corredores da feira foi a consolidação de uma nova lógica: veículos que deixam de ser apenas máquinas mecânicas sofisticadas e passam a funcionar como plataformas digitais inteligentes, capazes de evoluir ao longo do tempo por meio de software, sensores e sistemas de controle avançados.
Durante décadas, o desenvolvimento automotivo seguiu um roteiro previsível. Primeiro vinha a engenharia mecânica, depois a elétrica e, só no final, o software entrava como um complemento. Em 2026, essa ordem já não faz sentido. A arquitetura veicular passou a ser pensada de dentro para fora, começando pelo cérebro digital que gerencia energia, segurança, dinâmica e comunicação. Esse movimento não impacta apenas carros de passeio, mas também ônibus, caminhões e veículos comerciais, que enfrentam desafios ainda maiores de eficiência, confiabilidade e custo operacional.
O conceito de Veículos Definidos por Software (SDVs) ganhou maturidade justamente porque responde a uma demanda real do mercado. Atualizações remotas, integração com Inteligência Artificial, monitoramento constante de sistemas e adaptação a diferentes perfis de uso deixaram de ser tendências futuras e passaram a fazer parte do presente. Em vez de trocar componentes físicos para evoluir um veículo, a indústria começa a atualizar linhas de código, ajustando comportamento, consumo energético e desempenho.
Esse novo cenário também muda a relação entre fabricantes, fornecedores e motoristas. Para as montadoras, a flexibilidade se tornou um ativo estratégico. Produzir plataformas escaláveis, capazes de atender diferentes mercados e legislações, reduz custos e acelera o tempo de lançamento. Para quem dirige, a experiência se torna mais fluida, personalizada e conectada à realidade do dia a dia, seja no trânsito urbano, em longas viagens rodoviárias ou em operações logísticas intensas.
Outro ponto que chamou atenção na CES 2026 foi o avanço de soluções que reduzem a dependência de minerais de terras raras, um tema sensível tanto do ponto de vista econômico quanto ambiental. Sensores, atuadores e motores sem ímãs mostram que eficiência energética e sustentabilidade podem caminhar juntas, sem comprometer desempenho ou segurança. Esse tipo de inovação tem impacto direto na cadeia global de suprimentos, tornando a produção menos vulnerável a oscilações geopolíticas e mais previsível no longo prazo.
A eletrificação, por sua vez, apareceu menos como protagonista isolada e mais como parte de um sistema integrado. Baterias, conversores de energia, módulos de tração e gerenciamento térmico surgem conectados por arquiteturas inteligentes, capazes de tomar decisões em tempo real. Isso significa melhor aproveitamento da energia disponível, menor desgaste de componentes e uma condução mais estável em diferentes condições de uso.
A CES 2026 também reforçou como a dinâmica veicular está sendo redesenhada. Direção eletrônica, controle independente de rodas e sensores de alta precisão permitem que veículos maiores sejam tão ágeis quanto modelos compactos, algo especialmente relevante para ônibus urbanos e caminhões elétricos, que precisam equilibrar manobrabilidade e segurança em espaços cada vez mais restritos.
Nesse ambiente de mudanças rápidas, algumas empresas se destacaram por apresentar soluções que conectam todos esses pontos de forma coerente. Em vez de tecnologias isoladas, surgiram ecossistemas completos, nos quais software, eletrônica e mecânica trabalham de maneira integrada. Essa abordagem sinaliza que o futuro da mobilidade não será definido por um único componente, mas pela forma como diferentes sistemas conversam entre si.
A partir desse contexto, entender o que foi apresentado na CES 2026 ajuda a enxergar com mais clareza para onde caminham carros, motos, ônibus e caminhões nos próximos anos — e por que essa transformação é muito mais profunda do que parece à primeira vista.
A ideia de veículos definidos por software deixou de ser um conceito abstrato e passou a se materializar em soluções práticas apresentadas na CES 2026. O que antes era visto como algo restrito a sistemas multimídia agora avança para áreas sensíveis, como direção, frenagem, gerenciamento térmico e distribuição de energia. Nesse novo modelo, o software não apenas executa funções, mas coordena todo o comportamento do veículo.
Essa mudança exige uma reorganização profunda da eletrônica embarcada. Arquiteturas antigas, compostas por dezenas de unidades de controle isoladas, dão lugar a sistemas mais enxutos, organizados em controladores centrais e de zona. O resultado é uma redução significativa da complexidade, menos peso, menor consumo energético e uma comunicação mais rápida entre os sistemas. Para o usuário final, isso se traduz em respostas mais precisas ao volante, maior estabilidade e uma experiência de condução mais previsível.
No centro dessa transformação estão as Unidades de Controle Mestre, responsáveis por processar dados de múltiplos sensores e tomar decisões em frações de segundo. Elas atuam como o verdadeiro cérebro do veículo, integrando informações de dinâmica, energia, segurança e conforto. Essa inteligência centralizada permite ajustes constantes, adaptando o comportamento do veículo conforme o tipo de condução, o terreno e até as condições climáticas.
Um dos pontos que mais chamou atenção foi a evolução dos sistemas Steer-by-Wire, que eliminam a ligação mecânica direta entre o volante e as rodas. À primeira vista, a ideia pode parecer estranha para quem cresceu associando direção a colunas, eixos e engrenagens. No entanto, a CES 2026 mostrou que a direção eletrônica não apenas mantém a sensação ao volante, como amplia as possibilidades de ajuste e segurança.
Com atuadores eletrônicos e sensores de alta precisão, o comando do motorista é convertido em sinais digitais instantâneos. Isso permite personalizar o feedback de força, tornando a direção mais leve em manobras urbanas e mais firme em altas velocidades. Em veículos autônomos ou semiautônomos, essa arquitetura também possibilita que o volante se recolha ou se reposicione, abrindo espaço para novos conceitos de cabine.
Além do conforto, há ganhos claros em segurança funcional. Sistemas redundantes garantem que, mesmo em caso de falha, o controle do veículo seja mantido. Essa lógica é essencial não apenas para carros de passeio, mas também para ônibus e caminhões, onde qualquer perda de controle tem consequências muito mais sérias.
Outro aprendizado importante da CES 2026 é que eficiência energética não depende apenas de baterias maiores ou motores mais potentes. O controle inteligente da energia disponível faz toda a diferença. Conversores de tensão de última geração, capazes de operar entre 400 e 800 volts, otimizam a distribuição elétrica dentro do veículo, reduzindo perdas e aumentando a autonomia real.
Esses sistemas fazem a ponte entre redes de alta e baixa tensão, alimentando desde motores de tração até sistemas auxiliares. Em vez de soluções superdimensionadas, surgem componentes compactos, leves e altamente eficientes. Isso impacta diretamente o peso total do veículo, um fator crítico especialmente em veículos comerciais elétricos, onde cada quilo a menos representa mais carga útil ou maior alcance.
A inteligência embarcada também permite lidar melhor com picos de demanda. Em situações extremas, como partidas em rampas ou manobras com carga elevada, amplificadores de energia garantem fornecimento imediato sem comprometer a estabilidade do sistema. Esse tipo de solução reforça a confiabilidade e reduz o desgaste prematuro de componentes.
A eliminação de índices de terras raras em sensores e atuadores apareceu como um dos temas mais relevantes do evento. Tecnologias baseadas em princípios indutivos substituem soluções tradicionais com ímãs permanentes, mantendo precisão e durabilidade. Além de reduzir custos, essa abordagem diminui a dependência de cadeias de suprimento complexas e ambientalmente sensíveis.
Sensores de direção traseira, por exemplo, monitoram com extrema precisão o ângulo e a posição das rodas sem contato físico. Essa informação é fundamental para sistemas de estabilidade e manobrabilidade, especialmente em veículos com entre-eixos longos, como ônibus articulados e caminhões elétricos de grande porte. A ausência de contato reduz desgaste e aumenta a vida útil, algo essencial em operações intensivas.
Esse movimento também reflete uma preocupação crescente da indústria com sustentabilidade aplicada, indo além do discurso e chegando à engenharia de componentes. Reduzir materiais críticos sem abrir mão de desempenho se tornou um diferencial competitivo real.
A CES 2026 deixou claro que o chassi deixou de ser apenas uma estrutura passiva. Com sensores, atuadores e controle eletrônico avançado, ele se transforma em um sistema ativo, capaz de adaptar o comportamento do veículo em tempo real. Sistemas de direção nas rodas traseiras, por exemplo, melhoram significativamente a manobrabilidade em ambientes urbanos e aumentam a estabilidade em velocidades mais altas.
Essa tecnologia é especialmente relevante para veículos elétricos, que geralmente possuem maior distância entre eixos para acomodar baterias. Ao permitir que as rodas traseiras também participem da direção, o veículo ganha agilidade sem comprometer o conforto ou a segurança. Em caminhões e ônibus, isso facilita manobras em espaços reduzidos, como terminais logísticos e centros urbanos congestionados.
Motores elétricos compactos, integrados ao chassi, também ganharam destaque. Projetados para alta densidade de potência e baixa inércia, eles atendem aplicações que exigem respostas rápidas e controle preciso. A modularidade desses motores permite ajustes conforme o segmento do veículo, seja ele um carro compacto, um SUV, um ônibus urbano ou um caminhão de distribuição.
À medida que os veículos incorporam mais tecnologia, a integração de sistemas se torna indispensável. A CES 2026 mostrou soluções que unem inversor, carregador, conversores de energia e módulos auxiliares em conjuntos compactos. Essa abordagem reduz o número de componentes, simplifica a montagem e melhora a confiabilidade.
Em plataformas elétricas e híbridas, essa integração também facilita a adaptação a diferentes mercados e legislações. Um mesmo conjunto pode ser configurado por software para atender padrões distintos, acelerando lançamentos e reduzindo custos de desenvolvimento. Para as montadoras, isso significa mais flexibilidade. Para o consumidor, veículos mais atualizados e eficientes.
A gestão térmica aparece como parte essencial desse ecossistema. Sistemas avançados mantêm baterias e eletrônica dentro de faixas ideais de temperatura, prolongando a vida útil e garantindo desempenho consistente. Algoritmos monitoram continuamente o estado de carga e a saúde das baterias, ajustando limites de corrente conforme a situação.
Esse nível de controle mostra que o futuro da mobilidade passa por decisões inteligentes em tempo real, algo que só se torna possível quando software, eletrônica e mecânica trabalham em perfeita sintonia.
Um dos sinais mais claros deixados pela CES 2026 foi a mudança de mentalidade na forma como carros, ônibus e caminhões são projetados. A lógica deixou de ser “um veículo, um projeto” para se tornar plataformas modulares, capazes de atender diferentes segmentos com variações mínimas de hardware e ajustes feitos majoritariamente por software. Essa abordagem permite escalar produção, reduzir custos e responder com mais rapidez às mudanças do mercado.
A modularidade aparece em praticamente todos os níveis do veículo. Sistemas de propulsão elétrica, módulos de direção, controle de energia, chassi e até arquiteturas eletrônicas passam a funcionar como blocos combináveis. Isso significa que um mesmo conjunto tecnológico pode equipar desde um carro urbano até um veículo comercial leve, respeitando diferenças de peso, torque e autonomia.
Essa estratégia também reduz a fragmentação tecnológica. Em vez de desenvolver soluções específicas para cada modelo, fabricantes trabalham com famílias de produtos adaptáveis. O ganho operacional é evidente, mas há também um impacto direto na confiabilidade, já que componentes passam a ser testados em maior escala e em diferentes aplicações.
Curiosamente, quanto mais tecnologia entra no veículo, mais simples tende a ser sua estrutura visível. A redução de cabos, unidades de controle e conexões físicas diminui pontos de falha e facilita manutenção. Ao mesmo tempo, a inteligência embarcada cresce exponencialmente, monitorando sistemas, antecipando falhas e ajustando parâmetros em tempo real.
Esse conceito se aplica tanto a veículos de uso pessoal quanto a frotas comerciais. Para operadores de ônibus e caminhões, por exemplo, a possibilidade de acompanhar consumo energético, estado de componentes e desempenho geral em tempo real representa economia e previsibilidade. Já para o motorista, a condução se torna mais suave, segura e adaptada ao contexto.
Outro ponto relevante é a atualização contínua. Em vez de envelhecer rapidamente, o veículo passa a evoluir ao longo do tempo. Novas funções, melhorias de eficiência e ajustes de comportamento podem ser entregues remotamente, mantendo o produto atual por mais tempo sem necessidade de intervenções físicas.
A CES 2026 também mostrou que sustentabilidade deixou de ser um discurso isolado e passou a orientar decisões técnicas. A eliminação de materiais críticos, a redução de peso, o aumento da eficiência energética e a durabilidade dos componentes fazem parte de uma equação mais ampla, que considera todo o ciclo de vida do veículo.
Sensores sem ímãs, motores mais compactos, rolamentos de alta eficiência e sistemas eletrônicos integrados reduzem perdas e aumentam a vida útil. Em veículos elétricos, isso se reflete diretamente na autonomia real e na menor necessidade de substituição de componentes ao longo dos anos.
No caso de ônibus urbanos e caminhões de distribuição, onde o uso é intenso e contínuo, essas escolhas técnicas impactam custos operacionais, tempo de parada e confiabilidade da frota. A engenharia passa a trabalhar não apenas para entregar desempenho, mas para sustentar operações complexas no dia a dia.
A tabela abaixo organiza os principais conceitos apresentados na CES 2026 e seus impactos diretos na mobilidade:
| Tecnologia | O que muda no veículo | Impacto direto |
|---|---|---|
| Veículos definidos por software | Arquitetura centralizada e atualizável | Mais flexibilidade, menos complexidade |
| Direção eletrônica (Steer-by-Wire) | Eliminação de conexões mecânicas | Mais espaço, controle preciso |
| Conversores de alta tensão | Gestão inteligente de energia | Maior eficiência e autonomia |
| Sensores indutivos sem ímãs | Medição precisa sem contato físico | Durabilidade e sustentabilidade |
| Chassi com direção traseira | Controle ativo da dinâmica | Agilidade e estabilidade |
| Módulos integrados de potência | Menos componentes separados | Redução de peso e custo |
O conjunto de soluções apresentado na CES 2026 deixa claro que a mobilidade do futuro não será definida por um único avanço isolado, mas pela integração inteligente de sistemas. Software, eletrônica e mecânica passam a operar como um organismo único, capaz de aprender, se adaptar e evoluir.
Nesse cenário, a Schaeffler aparece como uma das empresas que mais claramente traduzem essa visão em engenharia aplicada. Ao unir experiência histórica em sistemas mecânicos com competências avançadas em software, eletrificação e controle, a companhia mostra como é possível reduzir complexidade sem abrir mão de desempenho, segurança e eficiência.
Mais do que antecipar tendências, as tecnologias apresentadas indicam que o futuro da mobilidade já começou — silencioso, digital e profundamente conectado à forma como veículos se movem, decidem e interagem com o mundo ao redor.
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