Retirar a blindagem de um carro: é recomendado?



A blindagem de veículos é cada vez mais habitual em todo território nacional. Ao final de 2018 os veículos blindados constituíram um total aproximado de 220 mil unidades, de acordo com as estimativas da Associação Brasileira de Blindagem (Abrablin).

Em função deste número, naturalmente a quantidade de veículos blindados tende a crescer no mercado de seminovos. Logo a procura por empresas que removem esta proteção dos veículos também é grandes.



E este interesse ganha relevância e vê sua procura aumentar pois o custo e periodicidade de manutenção, quando comparado à um veículo original, é bem mais elevado, principalmente após uso durante alguns anos.

Qual o risco à integridade do veículo?



Apesar da alta procura pela remoção da blindagem, esta é uma prática que especialistas não recomendam, tão pouco as empresas de blindagem.

Segundo o engenheiro Marco Colosio, que é mestre em materiais da SAE Brasil, a remoção da blindagem é colocar o comportamento do carro em total risco. Isso porque no processo de blindagem o veículo recebe soldas para reforço de novos materiais, presentes nas regiões de anéis das portas e de colunas, e também na suspensão.

Além do alto custo é ocasionada a total desconfiguração do veículo. E essa desconfiguração deve ser evitada ao máximo.

Edson Barros, gerente de produção da empresa BSS Blindagem, uma das principais do segmento no Brasil, corrobora o discurso de Marco Colosio.

Ele ratifica que no processo de remoção da blindagem, todas as partes que compõem o veículo são modificadas. Para o processo realizado nos vidros, as portas precisam ser alargadas para que eles consigam ser encaixados sem prejuízo à abertura.

O profissional da BSS Blindagem aponta o exemplo do sedã Série 5 da BMW. Neste modelo os vidros laterais apresentam espessura de 6 milímetros, enquanto na versão blindada os vidros possuem 18 milímetros de espessura.

As alterações não se resumem às partes externas. Internamente o veículo também precisa ser adaptado à nova estrutura que será recebida.

O painel de instrumento deve ser cortado, em poucos milímetros, para permitir o encaixe perfeito do para-brisa mais grosso.

A acabamento presente nos painéis das portas também passam por alteração antes de sua recolocação nos locais de origem.

Aumento nos custos

O dono que desejar remover a blindagem do veículo também precisará comprar diversas peças, tanto internas quanto externas, de forma que o serviço possa ser executado da melhor maneira possível.

A presença de novas peças se faz necessária, por exemplo, porque não haverá a possibilidade de encaixe dos vidros originais nos vãos das portas do veículo, já que estas foram alargadas para recebimento da blindagem.

Isso também vale para os painéis modificados das portas, que também foram adaptados de acordo com a necessidade da blindagem.

Desta forma para realizar o serviço de remoção da blindagem mais o preço das peças necessárias no processo tornam este processo bem caro.

Edson Barros afirma ainda que o custo envolvido no processo de remoção da blindagem é tão alto que para muitos proprietários é melhor optar por um veículo convencional, ao invés de adquirir um que tenha passado pelo processo de retirada da proteção.

É recomendada uma análise profunda da situação financeira e da necessidade do veículo em relação a segurança.

De acordo com a necessidade do proprietário a aquisição de um veículo blindado pode não ser a melhor opção.

Este é um processo delicado, e apesar de reversível, o seu custo pode ser uma enorme desvantagem, já que é possível adquirir um veículo sem blindagem.

Esta é uma decisão particular e que precisa de muita análise e planejamento para que o orçamento não seja prejudicado, ocasionando qualquer outro tipo de problema.

Seja qual for a decisão tomada pelo dono do veículo, ela deve ser tomada de maneira consciente, deixando de lado qualquer impulso.

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